André Sousa pela terceira vez Campeão Nacional
- ofuturoestu
- 20 de set. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de set. de 2020
André, tens 20 anos e 3 títulos de campeão nacional conquistados, incluindo as duas últimas edições. Como é que avalias estes títulos e em geral o estado do xadrez em Portugal. Quais as diferenças que encontras da geração do Luís Galego, Dâmaso, Fernandes, para a tua onde incluo o Jorge Ferreira, o David Martins, o Bruno Martins, o Barria e o Francisco Veiga?
No geral, todos os campeonatos nacionais em que participei (já vão cinco) contaram com a presença de um grande número de jogadores de topo nacional. Este ano foi um pouco a exceção, provavelmente pela pandemia, verificando-se a falta de alguns jogadores mais experientes e cotados na competição. De qualquer maneira, foi um torneio de elevada dificuldade para o ganhar e estou tão contente com esta conquista como estive com as outras. Em relação à geração anterior à minha, penso que (e posso estar errado) se reflete a diferença da existência de informação de fácil acesso. Comparando as situações de

evolução de ambas as gerações, na altura do Galego, Dâmaso, Fernandes, etc, não havia databases, tantos livros online, cursos de aberturas, tanta facilidade de estudar os adversários. Assim, penso que os seus jogos se desenvolveram mais no sentido de arranjar uma posição jogável na abertura e disputar a partida a partir daí (o Galego coloca problemas em qualquer abertura!). Na minha geração, com a existência de databases atualizadas até ao último torneio e computadores que refutam gambitos outrora interessantes em segundos, penso que há um maior investimento na teoria de aberturas, na preparação contra um adversário específico, na diversidade de aberturas jogadas (para tentar evitar possíveis preparações), criando jogos de características diferentes de antigamente.
se torce o pepino... e foi o caso do André que muito cedo começou a brilhar no xadrez nacional. Aos 20 anos já leva 3 títulos mas ainda está longe dos 14 do GM António Fernandes. Apesar de o ter superado nas duas últimas edições
Podes falar um pouco sobre ti. Ambições no xadrez e fora do xadrez. Gostos, medos e objectivos?
O xadrez para mim nunca foi nem nunca será uma saída profissional. No entanto, tenho as minhas ambições, como chegar a Grande Mestre e ser o número um do ranking português… Na verdade, a minha ambição “final” com este jogo é ser o melhor possível e o melhor possível que eu consiga ser. Para mim, uma vida ideal seria ter um trabalho estável, dentro da minha área (eletroténica-robótica) que me permitisse dedicar também tempo ao xadrez para tentar ver até onde consigo ir. Potencial penso que tenho, mas o problema sempre foi a preguiça para de facto investir tempo a sério em alguma atividade. Nos últimos meses tenho tido uma vontade muito grande de tentar melhorar a sério, gradualmente, e vou tentar manter um plano de trabalho durante a faculdade, algo que não é muito fácil fazer. Já senti algumas melhorias em alguns aspetos e isso dá muita confiança para continuar o trabalho, que é o mais importante! Não desistir!

O que achas que falta para sermos um país com um nível do top 30 europeu e mundial? O que te faz falta enquanto jogador?
Para mim, o que falta a Portugal para ser um país de topo não é talento. Nem é propriamente apoio do ponto de vista da federação. Eu penso que a federação faz o que consegue com o que tem, de maneira melhor ou pior, mas tenta sempre apoiar os atletas. O que falta a Portugal é pura e simplesmente a mentalidade de ver o xadrez como algo mais do que o xadrez é visto neste momento.
Olhando para outros países, como a Rússia, Índia, China, atletas que têm grande potencial para o jogo são fortemente apoiados pelo próprio governo, que financia fortemente esse desenvolvimento, e permite que esses jogadores possam tentar a sua sorte no mundo do xadrez, de uma forma apoiada e gradual. Olhando para os exemplos mais relevantes desta falta de apoio, que penso serem o Jorge Ferreira e o Rúben Pereira. Ambos grandes jogadores, ambos competiam em jovens com jogadores que hoje em dia são cotados acima de 2600. O que lhes aconteceu para que tivessem parado de evoluir? Claramente foi a falta de apoio da própria “sociedade”. Com isto quero dizer que ambos pararam porque precisavam de garantir uma carreira fora do xadrez para ter uma fonte de rendimento no futuro e um curso, um trabalho, não permite a dedicação necessária ao

jogo para se evoluir a um nível de topo internacionalmente. Olhando para os talentos ainda mais recentes, David Martins, eu, Francisco Veiga, Bruno Martins, entre outros, todos ou pararam ou planeiam parar (ou pelo menos seriamente abrandar) com o xadrez mal a faculdade comece, ou o trabalho comece, em resumo, as responsabilidades maiores comecem. Pessoalmente, o que me falta puramente do ponto de vista de jogador é, como referido, a capacidade de dedicação necessária para evoluir acima do nível em que eu estou. Vamos ver como corre para futuro!
.png)




Comentários